Será que todas as redes sociais estão, de certa maneira, convergindo para uma aparência e utilização muito parecidas? A repaginada que o Twitter anunciou nos últimos dias levou muita gente a pensar o quanto ele está parecido com o Facebook.

A percepção é que as mudanças – mais visuais do que de funcionalidades — não vão afetar significativamente a maneira como as empresas e as pessoas utilizam o Twitter. No fundo, o que continua valendo nessa rede, mais do que em qualquer outra, é o conteúdo que se compartilha. A força dos 140 caracteres ainda pesa mais do que tudo.

As novidades, na verdade, sinalizam muito mais para um posicionamento do próprio Twitter do que para algo realmente inovador no relacionamento das marcas com seus consumidores.

“É como se o Twitter estivesse dizendo às empresas: atualizem-se, pois as coisas por aqui também estão mudando”, avalia Luciano Palma, professor da pós-graduação Gestão em Web no Senac de São Paulo. Para ele, com as mudanças o Twitter reforça seu empenho em construir um modelo de negócios viável para as empresas em termos de marketing.

Alguns perfis e marcas já adotaram a nova aparência.

Novo Perfil Twitter

 

As marcas agora podem ter a opção de inserir cabeçalhos com seu logotipo e slogan, a exemplo do que fizeram CocaCola, Disney e Mc Donald’s.

Novo Perfil Twitter

No entanto, mesmo marcas de renome internacional, como Ford, Guaraná Antarctica e Havaianas, não parecem estar com pressa de mudar para o novo modelo. Tampouco correram para atualizar seus perfis celebridades como Oprah Winfrey (@oprah, 13,9 milhões de seguidores), Luciano Huck (@LucianoHuck, 5,8 milhões de seguidores) e o estiloso rapper sulcoreano PSY (@psy_oppa), que está fazendo sucesso com seu Gangnam Style.

Perfil Twitter Anterior

Outro ponto a considerar é que a maior parte dos usuários do Twitter raramente o utiliza diretamente no site. Prefere recorrer a plataformas que facilitam acompanhar o que está acontecendo, como o TweetDeck ou o Hootsuite. E lá não dá para perceber a mudança, pois a timeline continua exibindo apenas os avatares e os tweets, e no perfil a aparência é rigorosamente a mesma de antes.

Mesmo que você navegue no Twitter através do website, quantas vezes você efetivamente verifica o perfil de quem está seguindo? Somente entrando na página de perfil de uma pessoa ou de uma marca é que dá para ver o novo visual.

O impacto é mais evidente nas plataformas mobile, como iPad ou smartphones, principalmente por causa das imagens, que já aparecem na íntegra, sem que haja necessidade de clicar em um link para abri-las. “Isso conta pontos para o branding e sabemos que as pessoas se deixam atrair por imagens, então as marcas podem aproveitar melhor esse recurso, especialmente as que têm produtos”, acredita André Telles, CEO da Mentes Digitais e autor de livros sobre mídias sociais.

Embora possa parecer que o Twitter, com essas modificações que valorizam o apelo visual, se aproxima de outras redes como o Facebook e o Pinterest, a linguagem continua sendo muito particular. Os usuários se comportam de maneira diferente em cada rede, e as marcas também devem manter posturas distintas. Martha Gabriel, autoridade em marketing na era digital no Brasil, é uma das que defende que não se deve simplesmente repetir o mesmo conteúdo em todas as redes, pois isso cansa quem te segue.

Depois de quadruplicar o número de usuários nos últimos dois anos, alcançando 517 milhões em julho deste ano, o Twitter começa agora a mostrar uma desaceleração de crescimento, segundo as consultorias Semiocast e comScore. O Brasil segue como segundo país no mundo com maior número de usuários (cerca de 40 milhões), mas apenas 25% dos usuários são ativos. No mundo todo, duas em cada três contas são “fantasmas”, ou seja, gente que nunca usa. “Mas o fato é que quem permanece na rede é um público fiel, mais qualificado, que já deixou de lado o modismo há muito tempo”, opina André Telles.

“O Twitter finalmente está puxando para si o controle integral de sua plataforma, o que vai viabilizar um modelo de negócios, que sempre foi um ponto criticado”, avalia Estevão Soares, da Estrategi.ca.

Em tempo: para quem ainda não viu, as principais mudanças são:

  • Agora a página do perfil tem um header, onde é possível colocar uma foto. Junto com o background – que não sofreu modificações e continua passível de aproveitamento com informações ou uma imagem que você considere relevante – o header compõe a percepção rápida de quem é você ou o que representa a sua marca. Em outras palavras, uma boa ferramenta de branding.
  • A funcionalidade de integrar as fotos que você tira com o Instagram à sua página. Antes, você era obrigado a usar um aplicativo de fotos do próprio Twitter, como o Twitpic. Isso favorece a integração com outras redes. E agora aparecem seis fotos no seu perfil, não apenas três.
  • Fotos e vídeos aparecem “abertos” na timeline, sem que você precise clicar em um link para ser redirecionado à imagem. Isso também acontece no Tweetdeck e no Hootsuite.
  • Widgets para incorporar o Twitter ao seu website, mas permitindo interações diretas na sua página. Isto é, as pessoas que acompanham seu blog ou site podem, sem sair dali, retuitar, comentar e marcar como favorito os seus tweets. Entre as possibilidades, está o widget de busca, usando uma #hashtag ou palavra-chave – o Twitter seleciona automaticamente os tweets. Bastante útil para monitorar o que as pessoas estão falando sobre determinada marca ou até mesmo para fazer a cobertura de determinado evento, colocando na busca a #hashtag oficial. Outro interessante é o que permite marcar como favoritos tweets que você quer ler depois, funcionando como uma espécie de curadoria.